segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

POÇO VERDE E SEUS ILUSTRES MORADORES

Peço licença aos senhores
Pra falar com emoção
Da minha linda Poço Verde
Que mora em meu coração
E seus ilustres moradores
Preste muita atenção

Desde a sua origem
Os relatos se sucedem
Permeando o imaginário
E antes que outros neguem
Vou contar bem direitinho
É tudo que eles pedem

O escritor Virgílio Sobrinho
Em um livro de memórias
Conta em pormenores
Situações e histórias
De alguns poçoverdenses
Foi uma grande vitória

Começo o itinerário
Falando de Zé da Mata
Cozinheiro de ‘mão cheia’
Que viveu em outra data
Fazia inveja às mulheres
Era um homem autodidata

Ele era um mulato
Na altura era baixinho
Foi criado com avó
Vem daí o burburinho
Que virava lobisomem
Era a lenda em seu caminho

Não podemos esquecer
Da Felícia e a diversão
Foi negra escravizada
Mulher “virgem”, por que não?
As crianças caçoavam
Mas ela tinha mansidão

Amamentou várias crianças
Em sua submissão
Morreu com mais de cem
Foi herança do Sertão
Não tinha os falsos pudores
Que feriam Coronel e Capitão

Seu enterro foi concorrido
Poço Verde reverenciou
Todos gostavam dela
E o mito então se criou
Pra meter medo nos filhos
“Olha a Felícia! Vixe, que pavor!”

Outro velho baluarte
Presente nessa história
É o coveiro Zé Olhão
Sua vida é uma vitória
Pois as causas das tristezas
É o motivo de sua glória

Enterrar os conterrâneos
Pra ele era normal
Escavar os sete palmos
Tornou-se algo banal
Embora sofresse bastante
Viver da morte não é legal

Agora viajo ao presente
Remontando a tradição
E por falar em coveiro
Temos um de profissão
O seu nome é Vitor
Homem de muita ação

Falam de suas lorotas
Que ele mente pra dedéu
Não diga isso perto dele
Que ele faz um escarcéu
Mas a verdade é só uma
Vou contar nesse cordel

Um dia estando ele
Na frente da Santa Cruz (Capela)
Avistou uns dez preás
A verdade ninguém induz
Lá na Serra de Agenor
É a imaginação que me conduz

Outra pedra preciosa
Que nestas paragens andou
Foi o ilustre “Peido de Jega”
Figura de muito valor
Nossos pais alertavam:
- Crianças, “Peido de Jega “ chegou!

A correria era geral
Pense na confusão
Mas a verdade alertava
Respeite sua condição
Brincadeiras à parte
Cada um com sua ilusão

O ‘doidinho de Paripiranga’
Com sua caixa estridente
Andando de cima a baixo
Deixava a gente contente
Foi um capítulo à parte
Nessa cidade decente

Me contaram certo dia
Que por aqui andou
Uma tal de ‘Zebrinha’
Flamenguista, sim senhor
Que dizia sempre, sempre
Coluna do meio. Você ganhou!

Estes ilustres moradores
Merecem a reverência
Pois ajudaram a construir
Mesmo com suas carências
Nosso querido município
Eita! Quanta decência

Continuo relatando
Pra manter tradições
Viva nosso ‘Tonho doido’
Passou por várias gerações
Corria igual fórmula 1
Um herdeiro de solidões

Agora faço um apelo
Pra todo poçoverdense
Não dê cachaça a ele
Reflita muito, pense
Pois você pode matá-lo
Não seja inconsequente

Vamos também ao esporte
Na arte do futebol
E apresentar o velho ‘Zuel’
Um craque desse arrebol
Sofreu muito pelas ruas
Embaixo de um forte sol

Temos vários artistas
Na arte de sobreviver
Que fizeram sua história
E fazem por merecer
Nossa humilde homenagem
Pra mim é um dever

Muito tenho pra falar
Do meu Poço Verde querido
Mas a fábrica de palavras
Das coisas que eu digo
Entra agora em recesso
Na próxima eu improviso

Se esqueci de alguém
Por favor, não leve a mal
Só peço que relatem
De uma maneira especial
Mande E-mail, telefone
Eu sou uma pessoa legal

Obrigado meus amigos
Pela sua atenção
Se lembrar de algum nome
Faça uma contribuição
Farei outro cordel
Uma segunda edição

O importante é relembrar
Da história o passado
Que pode ser o meu ou o seu
Seja escrito ou falado
Vamos reescrever a vida deles
Esse é o nosso legado

Zé Araújo
01.07.2011

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