segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

2º ENCONTRO NORDESTINO DE CORDEL




Brasília – Escritores e xilógrafos participam do 2º Encontro Nordestino de Cordel, no Centro Cultural da Caixa. Os principais objetivos do evento são o reconhecimento da literatura popular, criar um sindicato para os poetas populares e discutir a realização da primeira bienal sobre o tema. 15 de fevereiro foi o último dia do encontro, houve debates e oficinas de escrita e xilogravura (técnica de reprodução de uma imagem na madeira).
Para o cordelista e criador do projeto cordel em sala de aula, Arievaldo Viana Lima, a ideia é dar andamento a vários projetos discutidos no primeiro encontro, como a criação do sindicato da categoria. “Dentre outras coisas, o que nós queremos é o reconhecimento do cordel como uma vertente literária e não como uma peça folclórica”.

Lima destacou ainda a contribuição cultural do cordel na Região Nordeste. “(Na década de 1940, segundo dados do IBGE) cerca de oitenta por cento da população nordestina era considerada analfabeta, entretanto, se produziam 100 mil exemplares de um determinado folheto [de cordel] e a tiragem se esgotava em seis meses. Como uma população tida como analfabeta consumia 100 mil exemplares de uma obra? A população buscava uma maneira de se informar, de se auto-alfabetizar”.
Antônio Francisco Teixeira de Melo, de 64 anos, escreve e recita versos há 19 anos. Aprendeu a ler com o cordel que o pai sempre comprava. Escreveu seu primeiro cordel por brincadeira e desde então não parou, já publicou seis contos. “Eu escrevo para fazer um mundo menos ruim”. Para ele, o cordel “é escrever e meditar". "O cordel é ver as coisas que a gente não consegue vê com os olhos, ele é como uma luneta. É também a identidade do nordestino”.
O xilógrafo e presidente da Associação dos Gravadores do Cariri no Ceará, José Lourenço Gonzaga, trabalha com a xilogravura de cordel há 30 anos. Ele conta que a técnica chegou ao estado por meio de um dos maiores incentivadores do cordel no Ceará, José Bernardo. “O processo dessa técnica requer a arte de esboço do desenho, de retalhamento e de impressão da gravura".
Gonzaga conta que não existem cursos específicos que ensinam a técnica em oficinas. “Tivemos uma oficina na Bienal do Livro aqui em Brasília no ano passado e já fomos convidados para ministrar oficinas de xilogravura na próxima Bienal do Livro, que ocorrerá aqui em 2014".
Formado em Artes Plásticas pela Universidade de Brasília (UnB), Valdério Costa trabalha há 20 anos com a xilogravura, técnica que aprendeu na infância. Em sala de aula, Costa ensina a técnica com foco no resgate da cultura popular brasileira. “Talvez a cultura popular não seja tão veiculada na mídia, mas é uma coisa que representa a tradição do nosso Nordeste. E quando se tem uma formação acadêmica, é imprescindível mantê-la”.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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